Gênero: Suspense
Duração: 1h43min
EUA
Direção: Dan Trachtenberg
Roteiro: Josh Campbell e Matthew Stuecken
Elenco principal: Mary Elizabeth Winstead, John Goodman e John Gallagher Jr.
Sinopse: Após um acidente de carro, Michelle acorda em um abrigo, presa e machucada com mais outros dois homens que afirmam que fora desses aposentos, o mundo exterior foi afetado por algum tipo de ataque químico.
Rua Cloverfield, 10 é uma espécie de spin-off de Cloverfield: Monstro de 2008 (Matt Reeves) e seu anúncio chegou como uma surpresa -- à época das filmagens, sequer os atores sabiam ao certo o nome do projeto. O longa conta com a "bênção" de J.J. Abrams e sua produtora Bad Robot. Não há uma ligação objetiva ou necessária com a película de 2008, Abrams apenas deu a entender que possivelmente haverá um próximo filme, e que se trata de uma espécie de "universo compartilhado".
Logo nos primeiros minutos, vê-se a protagonista, a jovem Michelle (vivida por Mary Elizabeth Winstead) em fuga, deixando pra trás seu relacionamento abusivo -- construído rapidamente em metáforas perspicazes logo ao início. Na estrada, sofre um acidente, tendo seu carro atingido e arremessado para fora do percurso.
Em poucos minutos, tem-se a construção do suspense: Michelle acorda ferida e acorrentada em um aposento bastante similar a um quarto de manicômio. Eis que surge Howard (John Goodman) se anunciando como seu protetor: havia a encontrado em seu carro logo após o acidente e a levou para este aposento. Além disso, informa-a que estão confinados em um abrigo subterrâneo pois o mundo exterior estaria totalmente contaminado, mesmo o ar seria letal. À esta altura, não há mais nada concretamente estabelecido, e daí advém o suspense.
Michelle se encontra sem respostas: não há ninguém em quem confiar e mesmo os fatos podem ser dúbios. Fora de seu quarto, a garota descobre que além de Howard, ainda está confinada com outro homem: Emmett (John Gallagher Jr.).
A partir de então, o longa se dispõe a tratar do relacionamento receoso entre as três personagens. E neste aspecto, a cinegrafia fez um bom trabalho: um espaço limitado parece tão confortável em determinados momentos quanto claustrofóbico em outros. Outra perspectiva inevitável é o relacionamento paternalista (e por que não abusivo?) entre Michelle e Howard: em diversos pontos da trama, essa relação entre "pai e filha" é explorada a fim de caracterizar uma entre as várias correntes, físicas e imateriais, que prendem a protagonista.
O tom, ao final do longa, é totalmente divergente de todo o suspense perdurável e dá todas as respostas ao espectador. Entretanto, esta alteração brusca entre os atos pode ser, para alguns, ponto fraco, pois expõe excessiva e talvez desnecessariamente, suas razões.
Rua Cloverfield, 10, é uma grata surpresa ao fã de suspenses. Conta com boas atuações, sobretudo por conta de John Goodman, e ótimos truques cinematográficos. Entretanto, esconde demasiadamente uma ideia que é revelada tão inesperadamente de forma desproporcional. Ao fim, não lhe tira os bons méritos e faz por agradar bastante, crítica e público.

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